sábado, setembro 18

Amanhã


Quando te repreender será a contraluz. Quero ver-te no recorte do teu incómodo, entre o teatro e te despires por vontade. Quando te vir acatada e suada, quando respirares o meu atrevimento, os meus olhos responderão a trela que me ofereces. E nos teus olhos, surgirão todas as imagens que a obscuridade te poderá oferecer. Como tu és oferenda. Como eu me ofereço.

sexta-feira, setembro 17

Ainda


Cedo aos passos juvenis da tua presença. E assim, apenas na razão de uma brisa estival, desmorono-me sob o ensaio que me retira o sorriso tímido. Procuro os mil significados do verbo sucumbir, com as certezas de um professor subjugado pela aluna. Rodo de olhos fechados, julgando-me só. Precipito-me rolando o fio de cabelo molhado que te cai sobre os olhos, restos de Verão com sabor a baunilha. Encostado à parede, procuro o teu cheiro. Apetece-me o irresistível, na medida única de tudo, recusando as partes desse todo. E aos porquês, respondo ainda.

quinta-feira, setembro 16

Primeiro


Invejo-te. Sigo com os olhos essa maneira de seres resultado de pincel. Percorro o caminho onde deixaste os passos de dança, onde volteias o romance desses ombros procurando carícia, uma de longe, de tanto, de toda uma tarde de sentidos perigando a pausa. Ordeno-me as lágrimas de te saber, das horas que te julguei impossível, dessa doutrina onde te lia inexistente. E subo as estrelas, rompo os dias de calma, desfaleço catedrais, desmaio-me em mármores terrenos ao te julgar real, a métrica da tua existência, o rumor soprado de mulher parietando-me o sono. Atinjo-me mortal nessa cadeia onde me agrides o íntimo. E deixo-me à inveja, no desgosto dessa posse que não tenho. No desejo mudo de te escrever singular.